Rua 31 de Janeiro

Nesta fotografia de depois de 1909, vemos, em primeiro plano, parte da ponte do Torreão e, à esquerda, a ribeira de Santa Luzia. O grande edifício é a 'Fábrica do Torreão', na então Rua da Princesa (atual rua 31 de Janeiro).

A Rua 31 de Janeiro tem 1972 metros de comprimento. É balizada, a norte, pela Rua de D. João, e, a sul, pela Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses/Praça da Autonomia.
Acompanha quase os últimos dois quilómetros da Ribeira de Santa Luzia, a qual tem, do outro lado, a Rua 5 de Outubro.

por: Paulo Camacho

Até 1910 tinha o nome de Rua da Princesa. Depois da queda da monarquia, ficou com a data da primeira Revolta Republicana e tentativa de Implantação da República em Portugal, que decorreu na cidade do Porto, a 31 de janeiro de 1891.
Curiosamente, também era conhecida pela Rua das Árvores, devido ao número de árvores que tinha. Mas, ironia do destino, hoje não tem qualquer árvore.
A 31 de Janeiro, que continua a ser uma das principais artérias de saída da cidade do Funchal, teve o seu ex-libris. Hoje, infelizmente, por imposições incompreensíveis, deu lugar a um jardim público, chamado Santa Luzia.
Naquele quarteirão, delimitado pelas ruas 31 de Janeiro, do Til, da Carne Azeda e do Torreão, e Travessa da Carne Azeda estava a antiga 'Fábrica do Torreão', conhecida como Engenho do Hinton. Foi o maior engenho de açúcar e álcool da Madeira e da Europa, tendo funcionado entre 1845 e 1986.
Sob a direção de Henry Calverley Hinton (Harry Hinton), utilizou maquinaria avançada e métodos patenteados de extração de sacarose.
Tudo havia começado no século XVIII, quando William Hinton escolheu a Madeira como nova casa, em 1838.
Rapidamente desenvolveu um profundo afeto pela cultura madeirense e fez contribuições significativas para a economia da ilha. Desempenhou um papel crucial na promoção e desenvolvimento do setor de vime e do cultivo de banana.
No entanto, o seu impacto mais notável foi no domínio industrial.
Continuando o caminho visionário do pai, Harry Hinton construiu a unidade industrial a vapor estabelecida em 1845. Tornou-se um símbolo de progresso tecnológico e crescimento económico para a Madeira.
Chegou a empregar 230 trabalhadores no início do século XX.
Em 1920, atingiu o seu pico de produção, processando 608 toneladas de cana-de-açúcar num período de 24 horas. 
A fábrica era famosa por produzir sumo de cana-de-açúcar de alta pureza, que era fermentado em vinho de cana e depois destilado para criar o Aguardente da Madeira. O impacto desta mercadoria foi tão significativo que, na primeira metade do século XX, a Madeira ficou conhecida como “a ilha da aguardente”.

Junto à Praça da Autonomia, encontram-se vestígios do Forte de São Filipe também conhecido como Forte Novo, erguido por determinação do Governador e Capitão-general da Madeira e do Porto Santo, Depois de estar soterrado durante anos, viria a conhecer a luz do dia depois da obra de união da jusante das ribeiras de Santa Luzia e João Gomes, que aconteceu em aconteceu como consequência da aluvião de 20 de fevereiro de 2010.
O forte, depois de perder a função militar em 1897 foi demolido, pelo que apenas existem vestígios e história para contar, da estrutura erguida em 1581,

Hoje, a Rua 31 de Janeiro tem um misto de ocupação, desde o comércio, os serviços alguns serviços públicos como a Autoridade Tributária, na esquina com o Largo do Phelps, a sede da delegação na Madeira da Ordem dos Advogados, e a habitação. É nesta rua que se encontra a redação do jornal JM.
Referência, ainda para a adega de vinho 'HM Borges', fundada em 1877, por Henrique Menezes Borges. Inicialmente, a sede ficava perto do Mercado dos Lavradores e mudou para as atuais instalações em 1924, onde anteriormente era a fábrica de moagem 'Progresso Industrial'.


A Ponte do Torreão, os carris do carro americano e o início da rua das Dificuldades, aqui num registo entre 1896 e 1916. Colorida com IA.


A fábrica de moagem 'Progresso Industrial', na então Rua da Princesa, vendo-se, à esquerda, uma pequena loja comercial que tem, junto à porta, cestos de canavieira pendurados. A fotografia foi registada entre 1897 e 1905. Colorida com IA.

A Ponte Nova e, ao fundo, a antiga Ponte do Bom Jesus, aqui num registo entre 1896 e 1916. Colorida com IA.

Esta fotografia, registada entre 1916 e 1936, mostra a esquina da Rua 31 de Janeiro com a Rua das Dificuldades, Em primeiro plano, vê-se o acesso e as muralhas da Ribeira de Santa Luzia, sem revestimento, e as escadas de acesso ao leito da mesma. Ao centro, em cima, vê-se um estabelecimento comercial, na esquina. Colorida com IA.
Nesta fotografia, da primeira metade do séc. XX, vemos a Rua de 31 de Janeiro, entre a Ponte do Bom Jesus e Ponte Nova. Colorida com IA.


Em 1930, a Câmara Municipal do Funchal decidiu que fosse colocada uma paragem logo abaixo da Rua do Bom Jesus.
Em 1937, o calcetamento do passeio da Rua 31 de Janeiro, entre a Ponte do Bom Jesus e a Ponte Nova fica concluído. Colorida com IA.

Esta fotografia de 24 de abril de 1953, mostra o edifício da fábrica de 'São Filipe', a ponte sobre a ribeira de Santa Luzia, a Rua 5 de Outubro, a Rua 31 de Janeiro, veículos ligeiros, pessoas a circular, vista norte/sul. Colorida com IA.

Fotografia curiosa, de 1960, a mostrar a então 'Estação de serviço da Sociedade Nacional de Petróleo (SONAP)', no  n.º 15 da Rua 31 de janeiro. Este espaço conheceu muitas "vidas" ao longo dos anos, até a atualidade. Colorida com IA.

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