Rua do Bispo

Fotografia de antes de 1895. Colorida com IA.

A Rua do Bispo tem uma extensão de 130 metros, entre a Rua João Tavira, a poente, e a Rua dos Ferreiros, no lado oposto. Tem, a norte, a Praça do Município, à qual se acede através de uma escadaria, em frente à Capela de São Luís de Tolosa, de 1600, com um espólio de peças das oficinas regionais dos séculos XVII e XVIII.
A sul, numa artéria paralela, encontra-se a Rua da Queimada de Cima, sendo que abaixo desta fica a Rua da Queimada de Baixo.

por: Paulo Camacho

A rua deve o seu nome ao facto de ter sido residência do Bispo D. Frei João do Nascimento, um dos mais distintos prelados da diocese, durando o seu episcopado desde 5 de Setembro de 1741, quando chegou à Madeira, até 6 de Novembro de 1753, dia em que faleceu no Paço Episcopal.
Nascido em Lisboa, viveu na ilha 12 anos, onde, além de bispo, foi governador do arquipélago entre 1747 e 1751.
A si se deve a edificação do Paço Episcopal, construído entre 1748 e 1751. 
A obra resultou da necessidade de uma nova residência para o bispo, visto que o terramoto de 31 de março para 1 de abril de 1748 deixou a habitação dos bispos em estado de ruína. Desta forma, agilizou a construção de um novo palácio.
Mas, a dificuldade na compra de um novo local fez com que tivesse de ficar pelo edifício arruinado, que foi praticamente totalmente demolido, ficando algumas paredes em pé para contar a história.
No entanto, por ironia do destino, D. João do Nascimento pouco tempo gozou da sua obra, pois veio a morrer a 26 de Novembro de 1753.
Mais tarde, o Paço Episcopal passou para a posse da Fazenda Nacional e ali foi instaladp o liceu do Funchal.
Anos depois, o edifício passou a ser o 'Museu de Arte Sacra', a pertencer à Diocese do Funchal. Ali se encontram coleções de Arte Flamenga e de Arte Portuguesa.
Ao lado da Capela de São Luís de Tolosa, encontra-se o Palácio dos Ornelas, um solar residencial urbano, de planta retangular com três pisos, destacando-se no piso superior um portal maneirista encimado por um brasão. Foi construído no século XVII e sofreu profundas remodelações no século XVIII.
A sua construção deveu-se a Aires de Ornelas de Vasconcelos e o seu funcionamento atual está direcionado para o comércio e serviços.
A Rua do Bispo, repleta de comércio e serviços, acolheu durante grande parte da segunda metade do séc. XX a sede da “Associação de Socorros Mútuos – 4 de Setembro de 1862”.
Referência, igualmente, para a presença de um edifício que foi, em tempos, depósito de louças e artigos sanitários e cerâmica de construção da Companhia das Fábricas de Cerâmica Lusitânia. 
Hoje ainda resta uma bela fachada de azulejos a recordar esse tempo, tendo o edifício uma utilidade comercial.
A unidade fabril foi a maior empresa do ramo cerâmico em Portugal durante o século XX. Embora a sua sede e principais polos fabris estivessem no continente (como a célebre fábrica no Arco do Cego, em Lisboa, e em Coimbra), a empresa deixou a sua marca na Madeira.

Esta fotografia de 5 de fevereiro de 1925 mostra movimento na Rua do Bispo, podendo ver-se um automóvel com a chapa de licença "M-135". Observa-se ainda um carro de arrasto puxado por dois cavalo e uma carroça puxada por um homem. Colorida com IA.

Portão do Palácio dos Ornelas, aqui numa fotografia sem data. Colorida com IA.

A capela de São Luís, aqui num registo entre 1991 e 1996. No portal da capela encontram-se as armas episcopais do fundador, tendo como remate a Cruz de Cristo. Colorido com IA.

Bomba n.º 1 de combate a incêndios e carro de atração manual na Rua do Bispo, aqui num registo de 13 de março de 1961. Trata-se da primeira bomba da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Funchal, adquirida pela Câmara Municipal em 1889 e respetivo carro. Em 1932 este equipamento foi transferido para o corpo de bombeiros da Câmara Municipal de Santa Cruz, mas por deliberação da mesma Câmara, de 8 de janeiro de 1961, ambas as peças regressaram ao Funchal para serem expostas no Museu do Bombeiro. O material foi depositado numa loja do antigo Paço Episcopal, à rua do Bispo, emprestada pelo bispo D. David de Sousa, onde ficou provisoriamente à espera de ser reparado. Colorida com IA.
Esta fotografia permite ver o a torre mirante do antigo Paço Episcopal, atual Museu de Arte Sacra do Funchal, a igreja de São João Evangelista (igreja do Colégio) e a chaminé do engenho 'Hinton', aqui num registo entre as décadas de 1920 e 1940. Colorida com IA.


Mensagens populares