Rua dos Murças

A Rua das Murças na década de 60/70. Colorida com IA.

A Rua dos Murças tem 165 metros de comprimento. Tem a poente a Avenida Zarco, e, a nascente, a Rua do Sabão, junto à Praça Cristóvão Colombo, mais conhecida como 'Praça Amarela'.

por: Paulo Camacho

A razão do nome tem a ver com a igreja, concretamente a roupa usado por clérigos. Na verdade, a rua foi residência de alguns cónegos da Sé do Funchal, os quais, nas suas funções culturais usam murças,  uma vestimenta curta com capuz usada tradicionalmente por cónegos e outros clérigos católicos por cima da sotaina, servindo para proteger do frio nos coros das igrejas.
Estamos perante uma das mais antigas ruas da capital madeirense, onde existem edifícios de vários andares, dedicados ao comércio, à restauração, aos serviços públicos e privados. 
Ainda subsistem, no primeiro troço, algumas Casas de Bordado Madeira, uma arte cada vez mais rara, mas que ali parece resistir ao passar dos anos e fazer prevalecer este setor. Na verdade, durante muitos anos, existiam na rua muitas lojas de Bordado Madeira.

Durante as décadas de 1960 e 1970, período a que pertencem as fotografias que acompanham este texto, a rua afirmava-se já como um eixo comercial consolidado. Era marcada por lojas tradicionais, pequenos negócios familiares e uma vivência urbana muito mais próxima e contínua do que a atual. O trânsito automóvel coexistia com a circulação pedonal, mas sem a pressão que hoje caracteriza os centros urbanos.
Uma das marcas identitárias da Rua dos Murças, que ainda hoje resiste, é a presença de c

 Esta atividade, que teve enorme relevância económica e social na região, encontra aqui um dos seus últimos redutos em contexto urbano histórico. A sua permanência não é apenas comercial, é também simbólica, representando uma continuidade cultural que tem vindo a desaparecer noutros pontos da cidade.

Edifício da 'Mercearia Central', na esquina da Rua dos Murças com a Rua António José de Almeida, cujos passeios, em cimento, ficaram concluídos a 19 de maio de 1931. Esta fotografia, colorida com IA, foi registada depois de 1931.

A Rua das Murças, entre os dois edifícios, à esquerda. Na esquina da Avenida António José de Almeida (atual Rua António José de Almeida) com a Rua das Murças, vê-se o estabelecimento 'A Penha de Águia' e, no 1.º andar no mesmo edifício, o letreiro 'Casa Alves', fundada em 1844. Esta fotografia, com registo entre 1934 e 1937, com vista nascente/poente, a parir da torre da Sé do Funchal, mostra, ainda, a Avenida Arriaga, em primeiro plano, e, lá ao fundo, junto ao mar, a estrada da Pontinha (atual Avenida Sá Carneiro) e o Porto do Funchal. Colorida com IA.

Esta fotografia de depois de 1935, mostra a esquina da Rua das Murças com a Avenida Zarco, onde se vê um grupo de floristas. Observa-se, ainda, um passadiço sobre a Rua das Murças. que ligava os dois prédios da 'Rocha Machado & Cª', sendo o da esquerda o do 'Golden Gate', construída em 1916. Ao fundo, vê-se a chaminé da 'Padaria Alves'. Colorida com IA.

O 'Bazar Turista', na Rua dos Murças, aqui num registo de 30 de agosto de 1958. Colorida com IA.


As lojas de Bordado Madeira fazem parte da história da Rua das Murças, conforme vemos aqui nesta fotografia da década de 60/70. Colorida com IA.

Esta fotografia dos anos 60/70, da Rua das Murças, além de mostrar automóveis estacionados, realidade que hoje não é permitida, pois só podem circular peões, revela um edifício ao fim da rua que não existe, tendo dado lugar à Praça Cristóvão Colombo. Colorida com IA.


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