Avenida Luís de Camões


A Avenida Luís de Camões é uma artéria com origem junto à Avenida do Infante, tendo continuidade até ao Largo António Nobre com a Rua do Favila, que aqui se vê nesta fotografia em primeiro plano, tal como o referido largo.
No topo da avenida fica a interligação conhecida por rotunda do Hospital, devido à proximidade do Hospital Dr. Nélio Mendonça. No entanto, o seu nome correto é Praça Dom Francisco Santana, que foi bispo do Funchal entre 1974 e 1982.
Tem uma distância total de 641,5 metros. 
Além do pouco comércio ao longo da artéria, onde sobressai apenas a Farmácia Camões, a avenida tem uma forte componente habitacional, a começar pelo Bairro do Hospital, lá no alto.

No outro extremo está o Conservatório – Escola das Artes da Madeira, Eng.º Luiz Peter Clode.
Fica no edifício que foi construído para ser uma unidade hoteleira, que então se chamava de Hotel Nova Avenida e abriria nas décadas de 30/40
Foi propriedade de José Pedro de Freitas até a década de 70, sendo depois adquirido pelo Governo Regional para ali instalar o a escola de artes atual.

Quanto à origem do nome, deve-se a Luís Vaz de Camões, o poeta português que terá nascido Lisboa em 1524, de uma família da pequena nobreza, e viria a falecer a 10 de junho de 1579 ou 1580.
Foi um poeta e soldado português, considerado o poeta nacional de Portugal, o maior representante do renascimento português, o escritor mais importante da língua portuguesa e um dos grandes expoentes da literatura ocidental, famoso por sua epopeia "Os Lusíadas" (1572) e por os seus sonetos, editados, postumamente, com outros poemas líricos do autor nas Rimas, em 1595.

E a razão da escolha do nome além de ser uma homenagem da ilha ao poeta, deve-se, igualmente, ao facto de, na obra-prima, Camões, no Canto V, estância 5, dedicar uma estância inteira à Madeira.
O poeta faz referência ao arquipélago quando os navegadores de Vasco da Gama passam pela ilha na sua viagem para a Índia, descrevendo-a assim:

"Passamos a grande Ilha da Madeira,
Que do muito arvoredo assim se chama;
Das que nós povoamos a primeira,
Mais célebre por nome do que por fama.
Mas nem por ser do mundo a derradeira,
Se lhe avantajam quantas vénus ama;
Antes, sendo esta sua, se esquecera,
De Cypro, Guido, Paphos e Cythera."

Crê-se que terá recebido uma sólida educação nos moldes clássicos, dominando o latim e conhecendo a literatura e a história antigas e modernas. 
Admite-se que estudou na Universidade de Coimbra, mas não existem provas disso.
Frequentou a corte de D. João III, tendo iniciado a sua carreira como poeta lírico.
Envolveu-se, como narra a tradição, em amores com damas da nobreza e possivelmente plebeias, além de levar uma vida boémia e turbulenta. 
Diz-se que, por conta de um amor frustrado, autoexilou-se em África, alistado como militar, onde perdeu um olho em batalha. 

De regresso a Portugal, feriu uma pessoa do Paço e foi preso. 
Perdoado, partiu para o Oriente, em 1553. 
Passou lá vários anos, enfrentando adversidades. Foi preso algumas vezes, combateu ao lado das forças portuguesas e escreveu a sua obra mais conhecida. 
De volta ao Reino, publicou a epopeia e recebeu uma pequena pensão do rei D. Sebastião pelos serviços prestados à Coroa. Mas, os seus anos finais enfrenta dificuldades para viver condignamente.

Após a morte, a sua obra lírica foi reunida na coletânea Rimas. Deixou também três obras de teatro. 
Enquanto viveu, queixou-se várias vezes de alegadas injustiças que sofrera, e da escassa atenção que a sua obra recebia. 
Contudo, pouco depois de falecer a sua poesia começou a ser reconhecida como valiosa e de alto padrão estético por vários nomes importantes da literatura europeia. Ganhou prestígio sempre crescente entre o público e os conhecedores e influenciando gerações de poetas em vários países. 

Hoje a sua fama está solidamente estabelecida e é considerado um dos grandes vultos literários da tradição ocidental, sendo traduzido para várias línguas e tornando-se objeto de uma vasta quantidade de estudos críticos e de variada receção artística.


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