Caminho de Ferro do Monte


Estação do Atalhinho, no Monte. Observa-se o comboio da 'Companhia do Caminho de Ferro do Monte', um carro de cesto com dois carreiros e um homem adulto sentado, assim como, ao fundo, um grupo de homens adultos transportando erva. Foto de depois de 1894. Colorida com IA.

O Caminho de Ferro do Monte deve o seu nome por ter sido a base onde assentaram os carris do comboio, que subiu ao Monte e desceu até 1943. Tem a extensão de 2.072 metros.
Vai desde a Estrada do Livramento até ao interior do Monte, num final sem saída. Não obstante, no tempo da circulação do comboio tinha continuação por um caminho que hoje se pode percorrer, a pé, mas que está muito degradado, com árvores tombadas a meio, e com ar até sinistro. É história deixada envelhecer sem compaixão pelo que já representou.
Curiosamente, antes da Estrada do Livramento, ainda no mesmo circuito onde percorria a locomotiva fumegante, do vapor que a impulsionava ou travava, consoante o trajeto, ainda há mais 1.320 metros, com a Rua do Comboio. Tem forte inclinação, com início na Rua do Pombal e na Rua das Dificuldades, onde ainda existe a estação do comboio, embora desativada e abandonada na sua história.
O que antes uma linha deu lugar a dois arruamentos, depois da desativação.

Embora seja popularmente conhecido por Comboio do Monte, a designação correta é Caminho de Ferro do Monte.
O trajeto da ferrovia começava no Pombal e terminava no Terreiro da Luta, numa extensão de 3,911 metros. 

Em relação à Caminho de Ferro do Monte nela existe, sobretudo, habitação, com quintas de permeio. 
Passa, igualmente, pela Quinta Monte Palace, pelo Colégio Infante D. Henrique e pelo Hospital Dr. João de Almada.
No Largo da Fonte, onde antes havia a estão, o edifício foi recuperado e nele existe o Centro Interpretativo do Caminho de Ferro do Monte.
Em 2020, a Câmara Municipal do Funchal iniciou a reabilitação da estação, cujas obras foram concluídas em junho de 2021. O Centro Interpretativo do Comboio do Monte foi inaugurado no dia 24 de junho de 2021.
O Centro Interpretativo é dotado de um espaço museológico, cujo espólio é composto por filmes, fotografias, imagens, artefactos e diversos conteúdos alusivos ao velho comboio a vapor, como bilhetes, uma máquina de escrever e uma antiga secretaria.
A intervenção comtemplou, igualmente, um auditório que poderá ser utilizado pelas escolas, associações e instituições locais, e também um posto de informação turística.

Comboio na estação do largo da Fonte, no Monte, inaugurada em 1911. Colorida com IA.

Os primeiros lanços do caminho de ferro entraram ao serviço em 1893 e 1894, pese embora a linha só tenha ido concluída em 1912.
As obras iniciaram a 13 de agosto de 1891. 
O primeiro troço, entre o Pombal e a Levada de Santa Luzia, foi inaugurado a 16 de julho de 1893.
O comboio inaugural era formado por uma locomotiva e por uma carruagem. Poucos dias depois iniciaram os serviços regulares.
Este percurso demorava 5 minutos a ser percorrido.
Em 5 de agosto de 1894, o comboio chegou ao lugar de Atalhinho, no Monte, situado a 577 metros de altitude.
É nesta fase que entra em funcionamento a locomotiva a vapor. 

Duas locomotivas da 'Companhia do Caminho de Ferro do Monte'. A última viagem do comboio realizou-se a 17 de maio de 1943.

A 12 de julho de 1910, a Companhia do Caminho-de-Ferro do Monte, em assembleia geral, decidiu prolongar o comboio até ao Terreiro da Luta.
Assim, a 24 de julho de 1912 o comboio chegou, finalmente, ao Terreiro da Luta, a 850 metros de altitude.
Nessa altura, passou a ter as seguintes paragens: Pombal, Levada de Santa Luzia, Livramento, Quinta Sant’Ana (Sant’Ana), Flamengo, Confeitaria, Atalhinho (Monte), Largo da Fonte, e Terreiro da Luta. 
Na mesma data, é inaugurada a estação do Terreiro da Luta e o Chalet Restaurant-Esplanade, um restaurante panorâmico que era explorado pela própria Companhia do Caminho-de-Ferro do Monte, com capacidade para 400 pessoas.

Prolongamento da linha férrea no sítio da Confeiteira, no Monte. Observam-se vários homens nos trabalhos de construção e, à direita, a entrada da Quinta Prazer (posterior Monte Palace Hotel e atual Jardim Tropical Monte Palace). Entre 1893 e 1894. Colorida com IA.

A dado momento, a empresa enfrentou constrangimentos financeiros. Não conseguiu reunir capitais suficientes para substituir o material circulante, que já mostrava graves sinais de desgaste.
Esta realidade contribuiu para um acidente a 10 de setembro de 1919, quando explodiu a caldeira de uma locomotiva, numa altura em o comboio subia em direção ao Monte. 
Deste acidente resultaram quatro mortos e vários feridos, entre os 56 passageiros a bordo.

Devido ao desastre, as viagens foram suspensas até 1 de fevereiro de 1920. 
A 11 de janeiro de 1932, aconteceu um novo desastre, desta vez por descarrilamento. 
Este acidente seria um grande revés, porque turistas e habitantes viraram as costas ao caminho de ferro, considerando-o demasiado perigoso. 
A II Guerra Mundial, que começou, entretanto, fechou o torniquete do turismo e a companhia do caminho de ferro entrou em crise. 
Outro fator que contribuiu para o declínio foi a construção de estradas, que desenvolveu o transporte rodoviário.

Assim, em abril de 1943 deu-se a última viagem do comboio, tendo a linha sido logo desmantelada, e o material vendido como sucata.
Apesar das condições precárias em que operou nos últimos anos, este caminho de ferro ainda atraía alguns passageiros, especialmente os habitantes locais, que após o seu encerramento ficaram sem meios de transporte. Tiveram que se adaptar às novas oportunidades.
O material foi vendido a um preço irrisório, enquanto que as antigas instalações foram deixadas ao abandono. Parte do material resultante do desmantelamento, nomeadamente os carris, foi para a sucata e parte foi utilizado na reparação do Elevador do Bom Jesus, em Braga.

O Caminho de Ferro passa por cima do parque Leite Monteiro, aqui numa imagem de antes de 1943. Colorida com IA.


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