Rua das Pretas

Esta fotografia do Largo da Igrejinha, da década de 1920, mostra, à esquerda do estabelecimento "Relojoaria Internacional", de Joaquim de Abreu, a Rua da Carreira e, à direita, a Rua das Pretas. Este espaço foi objeto de transformações urbanas em finais da década de 1930 e inícios da seguinte com a abertura da faixa norte da avenida Gonçalves Zarco, hoje Avenida Zarco. Colorida com IA.



A Rua das Pretas tem cerca de 180 metros de comprimento. Está compreendida entre o Largo da Igrejinha e o largo em frente da igreja de São Pedro, onde, curiosamente, confluem outras artérias da cidade, concretamente a Rua de São Pedro, a Calçada de Clara, a Rua da Mouraria e a Rua do Surdo.

por: Paulo Camacho

A rua mantém hoje a traça original desde1560, quando apareceu desenhada numa planta da cidade.

Não obstante, segundo escreveu Rui Santos na sua “Crónica de domingo“, no Jornal da Madeira, chamou-se anteriormente Rua Dr. Câmara Pestana.

Em relação ao nome atual, as leituras mais convergentes apontam para que a origem se deva à existência de diversas casas de famílias ricas que tinham ao seu serviço empregadas negras.
Mas há também quem refira que se deve à constante circulação de negros que trabalhavam nas residências importante situadas nas redondezas.

Outra curiosidade desta rua é que, no início do século XX, existiam os estábulos para os animais que conduziam atrelados, um meio de transporte de mercadorias pesadas muito utilizado na época. Contudo, as autoridades sanitárias terão decidido que os animais deveriam ser mudados para um local mais afastado do centro pela higiene e ruído.

Hoje, a Rua das Pretas tem alguma habitação, Alojamento Local, acesso ao Castanheiro Boutique Hotel, restaurantes, um cartório notarial, lojas de comércio diversas e um centro comercial.
Mantém algumas casas senhoriais, muitas fechadas, a aguardar novas vidas.
É nesta rua que está, logo no início, o IA Saúde – Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais. 
Em tempos teve uma das confeitarias mais famosas da cidade: a Confeitaria Felisberta. Esteve desativada durante muitos anos, degradada, sobretudo depois do incêndio em 2016. Recentemente foi recuperado o edifício, mantendo a confeitaria com o mesmo nome, mas a alma perdeu-se com o tempo. Não resta nada para contar a história, além do nome.
E, teve, até há poucos anos, uma das últimas, senão mesmo a última alfaiataria da capital madeirense.


A Igreja de São Pedro, aqui num registo de depois de 1920, vendo-se, em primeiro plano, a Rua das Pretas. Colorida com IA.
O emblemático 'Supermercado Bach', aqui num registo entre 1963 e 1972. Foi pioneiro na oferta deste novo serviço na Madeira. Hoje já não existe, tendo dado lugar a sucessivos restaurantes. Coloria com IA.

A Rua das Pretas na atualidade.