Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses

A avenida do Mar encontra-se, ainda, em fase de prolongamento, vendo-se o edifício da capitania, inaugurado em 1950, em construção. Colorida com IA.

A Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses é um eixo viário da cidade do Funchal que na sua génese existe desde os primórdios da povoação, no século XV, mas que apenas foi lançada na década de 40 do século XX.
A avenida do Mar foi aberta ao público a 15 de outubro de 1939. 

por: Paulo Camacho

Na origem do nome, não serão precisos muitos considerandos para dizer que se deve â dimensão do imenso mar que bordeja a avenida ao longo de toda a sua extensão, a sul.

A Ponte de São Lázaro, em primeiro plano. Neste fotografia registada entre 1939 e 1940, não se observam os postes de iluminação pública. A iluminação foi inaugurada a 20 de abril de 1940. Colorida com IA.

No fundo, a cidade do Funchal nasceu, cresceu e organizou-se junto a áreas onde predominava a água: o oceano e as ribeiras. Para o bom e para o mau, a capital da ilha da Madeira está ligada a ambos.
Como alguém disse um dia são como uma imagem de marca do Funchal. Acrescentaria que é igualmente um factor distintivo da cidade.

A construção da Avenida do Mar fez com que a foz das três ribeiras que desaguam na cidade (de leste para oeste: João Gomes, Santa Luzia e São João) fossem cobertas. Hoje voltam a estar descobertas.
No caso concreto da ribeira de São João não só chegou a ser parcialmente tapada na foz como construíram sobre o seu percurso final a Rotunda do Infante e, mais tarde, o Edifício Infante.

A Avenida do Mar e das Comunidades de hoje tem cerca de 1.300 metros de comprimento. Vai desde os jardins do Almirante Reis, na Zona Velha, à rotunda Sá Carneiro.
Pelo caminho, atravessa a Praça da Autonomia.

A designação Mar na avenida persistiu até a década de 80, altura em que passa a ter a designação de Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses. Um acréscimo que pretende homenagear as comunidades madeirenses espalhadas por diversas partes do mundo, muitos idos precisamente por mar.
Não há muitos anos, aí por 1987, a Avenida do Mar foi alargada.

Nessa altura, deixou de existir um prolongamento peculiar do Sunny Bar, que tinha uma explanada entre as duas faixas de rodagem da avenida, e os empregados quase que faziam tangentes aos veículos que passavam. No final de 2019, o café fechou. No seu lugar surgiu o prolongamento do Mcdonalds.
1949
Por outro lado, foram encontrados vestígios do Pilar de Bânger. Voltaram a ser encaixados e hoje, o que restou da emblemática edificação concluída em 1798 pode ser visto a sul da avenida, a alguns metros para leste do cais da cidade. No entanto, já antes desse “achado”, algumas pedras tinham sido levadas para a Quinta do Palheiro Ferreiro.
O Pilar de Bânger tinha 30 metros de altura e cerca de 3 metros de diâmetro. Inicialmente servia para o transporte de mercadorias entre os barcos fundeados e terra e ainda como sentinela. Depois, foi posto de sinais para a navegação pela Blandy.
Curiosamente, a avenida, cujo alargamento permitiu a sua recuperação, foi a responsável pela sua demolição em 1939. Foi deitado a baixo para construir a Avenida do Mar.

A nível do património edificado na avenida, podemos dizer que é diverso.
Começamos pela Empresa Electricidade da Madeira.
Depois, temos edifícios como a Alfândega do Funchal, a Capitania do Porto do Funchal, a GNR, a Assembleia Legislativa da Madeira (construída na antiga alfândega) e o Palácio de São Lourenço.
Existem ainda outros edifícios onde se encontram departamentos do Governo Regional, uma boutique de pão, e outros espaços comerciais e ainda estacionamentos.

Construção da avenida do Mar (atual avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses). Ao centro, vê-se o pilar de Banger e, à esquerda, o palácio de São Lourenço. Em 1937, a praça Marquês de Pombal é demolida. Em fevereiro de 1939 os armazéns da Casa Blandy começaram a ser deitados a baixo. Fotografia registada entre 1937 e 1939. Colorida com IA.



Trabalhos de construção da muralha da nova avenida, aqui nesta fotografia de 1938. Colorida com IA.



Praça da Rainha vista de oeste/este, transformada a partir de 1886 em estaleiro das obras para a construção do porto de abrigo, na Pontinha. Pode ver-se, ainda, a locomotiva 'Dresine' e vários blocos de cimento e pedra destinados aos trabalhos. Ao fundo encontra-se o Pilar de Banger e, à esquerda, em destaque, a fortaleza-palácio de São Lourenço, cuja ala remodelada, a oeste, se achava com uma varanda corrida e equipada com a respetiva grade. Fotografia em torno do ano de 1886. Colorida com IA.

A Praça Marquês de Pombal a ser demolida em 1937, para abertura da avenida marginal. Colorida com IA.


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